Rui Rio sempre tem azar na escolha dos seus colaboradores

Rui Rio sempre tem azar na escolha dos seus colaboradores.

A escolha de David Justino é o pior dos exemplos.

David Justino foi Ministro da Educação do Governo Durão Barroso.

David Justino começou por chamar para sua Assessora de Imprensa uma militante do PS que tinha sido colocada na Suíça, pouco tempo antes, no Consulado de Portugal em Genebra, aparentemente em vilegiatura.

Depois, em vez de substituir os dois Directores-Gerais que o PS tinha nomeado, achou por bem deixá-los nos seus postos e, com isso, “toda a arraia” que enxameava o Ministério e as Direcções-Gerais .

Quando um Directores-Gerais pediu a demissão, David Justino teve uma ideia  brilhante. Nomeou outro Director-Geral, militante do PS, ex-apoiante de Otelo a Presidente da República.

E era Ministro da Educação de um Governo do PSD-CDS.

Dá vontade de dizer: “E esta ein?

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REGIONALIZAÇÃO – ELES QUEREM ENTREGAR AS REGIÕES AOS PARTIDOS

A REGIONALIZAÇÃO ADMINISTRATIVA DO PAÍS ESTÁ FEITA, COMO MANDA A CONSTITUIÇÃO.

REGIÃO

Sede onde funciona

Habitantes

CCDR Norte

Palacete do Campo Alegre, MassarelosPorto

3.818.722

CCDR Centro

Quinta dos Loios, Santo António dos OlivaisCoimbra

2.808.414

CCDR Lisboa e Vale do Tejo

Edifício Alexandre Herculano, Coração de JesusLisboa

2.348.453

CCDR Alentejo

Edifício Arantes e Oliveira, MalagueiraÉvora

776.339

CCDR Algarve

Sede no Museu Regional, Faro

395.208

O que esta malandragem quer é entregar as regiões aos Partidos.

Querem um Governador!

Querem uma Assembleia Regional!

Querem muitos, muitos, muitos Deputados!

E o Povo que se lixe e que pague!

Região Autónoma da Madeira – 245.012 habitantes

Região Autónoma dos Açores – 244.006 habitantes

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As mentiras sobre o SNS – Serviço Nacional de Saúde

A primeira mentira é que a Lei 56/79 de 15 de Setembro foi publicada por Maria de Lurdes Pintassilgo, sendo Presidente da República Ramalhoe Eanes. Por isso sem qualquer interveniência do Partido Socialista.

A segunda de todas essas mentiras é que essa Lei não criou coisa nenhuma. Limitou-se a trocar uma letra. Pegou nos SMS (Serviços Médico Sociais) e chamou-lhes SNS (Serviço Nacional de Saúde).

A terceira de todas as mentiras é a evolução dos gastos com a Saúde em Portugal.
Se compararmos os mesmos gastos públicos em saúde com o PIB, verificamos a seguinte evolução
1,80% em 1970
2,94% em 1974
3,91% em 1978
4,25 % em 2018
Se considerarmos que no Orçamento do Ministério da Saúde de 2018, as despesas com pessoal, no SNS, representam cerca de 38,4% do total da despesa, já podemos compreender a burla que os media nos andam a passar.

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Lembrando a criação do Ensino Superior em Angola, em 1962

Merece que se faça referência a outras iniciativas, de grande visão, no campo da Educação, em Angola.

Começo pelo segundo Rei do Congo, convertido ao cristianismo, transcrevendo uma passagem de BALANDIER, George, La vie quotidienne au Royaume de Kongo du XVI au XVII siècle, Hachette, Monaco, 1965).
«Afonso Ier1 eut, d’une certaine manière, une politique de l’enseignement. Il lia la consolidation de son pouvoir et de l’Etat à la formation d’une classe lettrée, à l’établissement d’un gouvernement plus bureaucratique. Dés 1509, il a fait construire des locaux d’école pour quatre cents élèves: ses frères (au sens classificatoire du terme), ses neveux maternelles, ses fils et les enfants de ses “serviteurs”, nous dit-on.
… En 1516, le vicaire du Royaume du Kongo, Ruy d’Aguiar, signale la présence dans la capitale2 d’un millier d’étudiants, “fils de nobles”, qui apprennent non seulement à lire et à écrire, mais étudie la grammaire et les humanités “ainsi que les choses de la foi”.»3

Saltando três séculos, merece referência o nome de António José do Nascimento. Nasceu em Luanda, aos 13 de Maio de 1838. Fez em Portugal, no Seminário patriarcal de Santarém os seus estudos, subsidiado pelo Cofre Central da Bula da Cruzada, e ordenou-se no ano de 1864.
Regressado a Angola, por algum tempo permaneceu em Luanda, onde, em associação com o capitão do Exército do Reino, Domingos José Ferreira Júnior, e o professor da Escola Principal Sales Ferreira, fundou uma Escola do Ensino Secundário, com cadeiras de Português e Latim, História Pátria e Universal, Filosofia e Matemática e Educação Física, que funcionou durante cerca de oito anos e educou e instruiu algumas dezenas de rapazes que, quase todos, vieram a ocupar lugares de relevo na função pública, no comércio e na carreira militar, e muitos se distinguiram no jornalismo.
Faleceu em Luanda em 7 de Julho de 1902.
(LEMOS, Alberto, Nótulas Históricas, Luanda, 1969)
É depois disto que merece referência a criação, a 21 de Agosto de 1962, pelo Decreto-Lei nº 44 530, dos Estudos Gerais Universitários de Angola, solenemente inaugurados a 6 de Outubro 1963.
E posteriormente, em 23 de Dezembro de 1968, o decreto-lei 48790 que transformou os Estudos Gerais Universitários de Angola em Universidade de Luanda que compreendeu as Faculdades de Economia e de Medicina, situadas em Luanda, e a Faculdade de Agronomia, situada no Huambo.

Para compreender o abandono a que esteve votado o ensino em Angola, tenha-se presente que era reflexo, ampliado, do que se passava em Portugal.
Em Portugal (Metrópole) foi preciso chegar-se ao consulado de Salazar para que funcionasse uma escola primária em cada freguesia. Angola continuou sendo esquecida. Lavava-se a consciência dizendo que esse ensino ficava a cargo das Missões, sem que ninguém cuidasse de lhes dar meios para organizar a rede de escolas, através do País, capaz de responder às necessidades.

Eu entrei para a Faculdade de Economia de Luanda no ano de 1972. Trabalhava na Escola Primária do Bairro Rangel e diariamente dirigia-me para a marginal onde se situava a Faculdade de Economia. Como no meu caso, número de trabalhadores-estudantes deveria estar próximo dos 50%.
Em 1972 a Faculdade estava no terceiro ano de funcionamento. A rapidez com que a se iniciou o primeiro curso nessa Faculdade ficou a dever-se muito ao dinamismo do Director da Faculdade, Professor Lima de Carvalho, nomeado para presidir à Comissão Instaladora da Faculdade. Consta que só depois de a Faculdade estar a funcionar há mais de dois anos é que ele recebeu autorização para adquirir o mobiliário escolar que nós utlizávamos diariamente para assistir às aulas. Mostra como soube resistir às habituais tentações das comissões instaladoras se transformarem em comissões instaladas. Muito haveria a dizer sobre a visão que ele tinha de uma faculdade moderna, virada para o futuro e bem integrada na sociedade que era suposto servir. Refiro de passagem o facto de ter aberto a biblioteca até altas horas da noite para que os trabalhadores estudantes pudessem aproveitar do acervo bibliográfico da mesma.

Em 1974, muitos de nós tivemos de forçar caminho para que nesse ano se mantivesse o calendário de exames. Foi assim que completei aí 2.º ano. Discordando do rumo que a Faculdade estava a tomar, após alguns dos chamados “saneamentos” decidi ir trabalhar como professor para o interior de Angola, pensando que aí poderia aguardar que a autoridade fosse restabelecida. No final do ano escolar de 1975 vim a Portugal de férias, deixando um requerimento para retomar a minha actividade no início do ano seguinte. Como o mesmo nunca teve resposta acabei por me inscrever na Faculdade de Economia do Porto para aí acabar o curso.
Mas, passados estes anos, continuo a sentir a Faculdade de Economia de Luanda como a minha Faculdade.

Manuel Ferreira

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Como a esquerda em Espanha denigre a educação

http://restosdecoleccao.blogspot.com.br/2012/06/ensino-primario.html

DN (02 DE DEZEMBRO DE 2016 00:00 Miguel Angel Bellosot)

Durante o mês de novembro que acaba de terminar, uma associação de pais do meu país, de inspiração esquerdista, convocou uma greve aos trabalhos de casa. Sim. Estão a ler bem. Como discordam das tarefas escolares extra que os professores espanhóis impõem aos seus alunos, que não diferem muito da média europeia, muitos pais persuadiram, e às vezes coagiram, os filhos para que não fizessem trabalhos de casa durante o fim de semana por várias razões. A primeira é que as tarefas encomendadas lhes parecem excessivas e não permitem que as crianças desfrutem do seu direito ao tempo livre, um direito que obviamente é uma invenção. A segunda é que a exigência dos professores para que os alunos não desliguem a partir de sexta-feira e estudem um par de horas durante o weekend impede os pais de ter uma relação mais próxima com os seus filhos, passar mais um bocado juntos desfrutando da natureza ou visitando museus, um pretexto verdadeiramente cómico, porque infelizmente os jovens de hoje ocupam o seu tempo livre nas redes sociais, o que tem uma enorme vantagem para os seus progenitores, porque assim não incomodam.

Como sou pai de dois filhos já adultos, mas recordo perfeitamente a etapa em que eram mais pequenos, posso dizer sem nenhuma possibilidade de errar que o que os pais realmente querem é que os trabalhos de casa dos seus filhos não alterem os seus próprios planos para o fim de semana. Esta é uma inclinação primitiva, natural, senti-a como os outros, e por isso ninguém tem de explicar-me nada sobre isso. Mas que esse sentimento egoísta assuma a forma da convocação de uma greve aos trabalhos de casa é obsceno.

A associação de que lhes falo é realmente importante. Agrupa três milhões de famílias, que são muitas, o que confere uma enorme gravidade ao tema. Este tipo de atitudes tira autoridade ao professor, que fica desacreditado, e transmite uma mensagem perversa às crianças: que são os pais que mandam, que as ordens são arbitrárias e podem obedecer–se ou não, e que as normas carecem de sentido. Por sorte, segundo relatam algumas reportagem que se ocuparam deste acontecimento nefasto, apesar de os pais encorajarem os filhos a deixar a mochila encostada nalgum lado, muitas crianças rebelaram-se e empenharam-se em fazer os problemas de matemática e aprender vocabulário em inglês, por exemplo. Esta atitude das crianças é uma bênção. Uma criança de 12 anos declarou ao jornal El Mundo: “Não gosto dos trabalhos de casa – eu também não gostava – mas é a minha obrigação.” Pode haver uma expressão mais bonita? Os professores desta criança de 12 anos tinham conseguido o prodigioso objetivo de ensinar-lhe que a vida não é fácil, que implica obrigações e deveres que é preciso cumprir mesmo que não nos apeteça. E tudo isto tinha acontecido enquanto os seus pais estúpidos se empenhavam em deitar pela borda fora semelhante tesouro.

Estes mesmos pais são os que depois se queixam de que os seus filhos não encontram trabalho e culpam o governo da sua má sorte. No fundo, os pais de que falo são o fruto da pedagogia da esquerda, que nunca esteve interessada num sistema educativo baseado no esforço e no mérito, mas noutro diferente. Num que procura a todo o custo a equidade, que o resultado dos alunos seja o mesmo independentemente das suas capacidades e atitudes, sacrificando a ambição pela excelência que deve ser o guia de qualquer modelo que se preze, e degenerando na mediocridade.

Os resultados destas ideias disparatadas estão à vista. Espanha é um dos países europeus mais mal colocado no relatório PISA, que mede as capacidades dos jovens europeus. Somos muito maus em matemáticas, no domínio da informática, em compreensão escrita e no conhecimento dos factos históricos, e por isso é lógico – além de outras causas como a rígida normativa laboral – que a nossa taxa de desemprego seja das mais elevadas do continente.

Os pais da esquerda querem que os seus filhos sejam felizes, que vão à escola para se divertir, que tenham a autoestima em alta – todos eles desejos muito louváveis – mas se depois não encontram trabalho e se deprimem, porque cortámos as suas possibilidades laborais e salariais ao primar pela sua satisfação imediata à custa da frustração futura, então estes mesmos pais atiram a culpa do seu infortúnio a uma injusta ordem económica que é preciso mudar já.

Durante a minha infância, quando chumbava a alguma disciplina eu tinha um problema com os meus pais, que tinham de assinar as notas. Agora, a pedagogia da esquerda inverteu a carga da responsabilidade. Agora, o problema é do professor ou da escola, visto o carácter reivindicativo e sindicalista de alguns pais governados por uma ideologia branda que enche a boca para falar de liberdades – mas evitando as suas responsabilidades – e de direitos – esquecendo as obrigações.

Todas as tentativas da direita, quando governou, para mudar o estado atual das coisas no meu país embateram contra a oposição invencível da esquerda e dos partidos nacionalistas. A penúltima tentativa, no ano de 2000, com uma norma que tinha como objetivo melhorar os resultados do sistema educativo e reivindicar o esforço, a disciplina e o estudo como valores imprescindíveis, foi revogado sem que tivesse entrado completamente em vigor, por José Luis Rodríguez Zapatero, que venceu nas eleições de 2004. Em 2011 ganhou novamente o PP com maioria absoluta e Mariano Rajoy decidiu empreender a reforma de um sistema que, segundo todos os estudos e avaliações internacionais, estava a dar péssimos resultados. Desde o primeiro momento formou-se a habitual pinça opositora entre os partidos nacionalistas e a esquerda. Para a esquerda pedagógica, as avaliações finais previstas eram um autêntico atentado contra a equidade do sistema e para os nacionalistas, sobretudo para os catalães, o tratamento que se dava à sua língua era intolerável.

A esquerda, os pais que fazem greve aos trabalhos de casa e a pedagogia progressista em geral abominam os exames, a possibilidade de os seus filhos poderem chumbar. Odeiam os exames porque, segundo dizem, “segregam” e “selecionam” os alunos. Pensam erradamente que os filhos das famílias com boa posição económica estão mais bem colocados para obter um rendimento superior, sem perceber que assim desonram os seus filhos, que no fundo consideram uns seres inferiores e inúteis, pelo que a sua única aspiração é que passem de ano, não importa se aprendem ou não. Como já sabem, Rajoy acaba de formar governo quase um ano depois de ter ganho as segundas eleições, mas sem maioria suficiente. Está obrigado a pactuar com vários grupos parlamentares e a esquerda já impôs a sua primeira condição para que a legislatura possa arrancar: deter a segunda lei de educação que a direita tinha conseguido aprovar. Dado que desde há 30 anos todos os projetos educativos foram feitos por governos socialistas, é razoável pensar que, na realidade, o que se pretende dizer ao PP é que se abstenha de reformar o que os socialistas e nacionalistas há muito tempo acordaram. Que se abstenha de entrar num território que a esquerda considera património intransferível apesar de, como as provas demonstram, tal monopólio esteja a condenar os nossos filhos à indigência intelectual e ao desemprego.

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Governos no “Estado” de “Graça”

Os arautos do marxismo

Desde que se tornou iminente que os partidos da extrema esquerda iam governar num jogo de sombras chinesas temos ouvido e lido as mais diversas opiniões onde se repetem as confusões mais diversas sobre o capitalismo, o neoliberalismo, o marxismo, etc.

Para os mais curiosos sobre o tema do Marxismo recomendo a leitura do livro “Le Marxism de Marx” de Raymond Aron. Adianto que foi o mais clarividente e honesto filósofo e sociólogo do seu tempo. Por alguma razão Sartre lhe dedicou um ódio de estimação.

Sobre o livro eis o que a Amazon transcreve:

” Une qualité de l’œuvre de Marx, dit Raymond Aron, c’est qu’elle peut être expliquée en cinq minutes, en cinq heures, en cinq ans ou en un demi-siècle. Elle se prête, en effet, à la simplification du résumé en une demi-heure, ce qui permet éventuellement à celui qui ne connaît rien à l’histoire du marxisme d’écouter avec ironie celui qui a consacré sa vie à l’étudier. “
C’est pour épargner à ses étudiants ce choix difficile – cinq minutes ou un demi-siècle – que Raymond Aron a donné par deux fois – à la Sorbonne d’abord, puis au Collège de France – un cours intitulé ” Le marxisme de Marx ” dans lequel il analyse très attentivement l’ensemble de l’œuvre de Marx, et plus particulièrement Le Capital, en montrant les liaisons qui existent entre les différentes étapes de cette période. …”

Para os que preferem os “cinco minutos” eu retomo o assunto mais abaixo.

O fim da austeridade ou mais endividamento

Um outro assunto que vai estar presente nos próximos tempos é a capacidade do país se continuar a endividar. Bem, eles recorrem a eufemismos e dizem: “acabar com a austeridade e aumentar o consumo. Sem o explicitarem bem, eles querem dizer o consumo das Famílias e do Governo. E até citam e pagam viagens a P. Krugman, Nobel de Economia em 2008 e J. Stiglitz, Nobel de Economia em 2001, ambos arautos do Neo-Keynesianismo.

Já referi, por diversas vezes, no que vou escrevendo, Jean Tirole, Nobel da Economia em 2014, e a magistral lição dada, em Estocolmo, na véspera de receber o Prémio Nobel, ao recomendar que o Governo Francês imitasse a Suécia e a Alemanha e reformasse o Mercado do Trabalho e o Estado.

Assim mesmo, sem os habituais eufemismos das “”Reformas Estruturais”.

Para os que acham que os Estados Unidos da América são o “papão” imperialista, sem chegar a “comer meninos”, mas que produz Economistas acomodatícios às suas teses, hoje vou falar de outro americano, Nobel da Economia em 2006, Edmund Phelps. Não, não é o Phelps da Natação.

Disse, E. Phelps ao Jornal de Negócios, em 11 de setembro de 2015:

Alguns economistas ignoram a ideia moderna de que a prosperidade de um país depende da inovação e do empreendedorismo. Adotam a visão mecanicista de que a prosperidade é uma questão de emprego e que o emprego é determinado pela “procura” – os gastos do governo, o consumo das famílias e a procura por investimento.”

Está-se mesmo a ver que este não é o discurso que agrada às televisões nem aos Departamentos de Sociologia de muitas das nossas Universidades, onde há alunos entram com 10 valores mas saem brilhantes Leninistas, às vezes, por ignorância, dizendo-se Marxistas.

E acrescenta E. Phelps:

Olhando para a Grécia, estes economistas defendem que a mudança da política orçamental para a “austeridade” – um sector público mais pequeno – levou a uma deficiência aguda na procura e, assim, a uma depressão. Mas esta argumentação tem uma leitura errada da história e exagera o poder da despesa Estado.”

Tudo isto, que diz Phelps, se aplica a este “jardim à beira mar plantado” onde, há anos, Medina Carreira anda a “clamar no deserto” que Portugal caminha para “bater no muro” o que mostra que, dos muitos que sabem o que nos espera, há alguém que tem a coragem de o dizer.

Mas, como em 2011 estávamos a um mês da bancarrota, no dizer do Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, e agora não estamos, e até temos uma “almofadazita” de 7,8 mil milhões, para fazer uns brilharetes de entrada, podemos entregar as rédeas do Governo a quem diz que vai governar ao centro mas faz acordos com partidos que não querem ser governo, antes estão interessados em apregoar uma demagogia diletante, própria de uma burguesia urbana entediada.

Esta rapaziada, que agora entrou em horda no Parlamento, vai continuar a pautar o seu discurso pela ignorância e a vociferar contra o capitalismo, sem saber do que falam.

O Capital no Séc. XIX e o Capital no Séc. XXI

Vou então usar alguns dos tais cinco minutos que referi atrás.

Começo com esclarecimentos sobre o Capitalismo.

É com Émile Durkheim (1858-1917) e com Karl Marx (1818-1883) que aparece o termo Capitalismo. Podemos dizer que estavam em campos opostos. Para Durkhein o Capitalismo é a sociedade perfeita bastando conhecer os seus problemas e encontrar a solução científica para eles. Para K. Marx o Capitalismo gera um conflito de classes e conduz ao advento do proletariado.

Karl Marx viveu em plena Revolução Industrial e produziu uma brilhante análise das relações sociais da sua época. A sua principal obra, “O Capital” ficou inacabada. Marx continuava a trabalhar nas inconsistências da sua teoria, quando morreu.

As referências que, na atualidade, comummente se fazem a Capitalismo não são na acepção de Durkheim mas na de Marx.

Temos pois uma espécie de tautologia. Marx define o Capitalismo e depois diz quais os defeitos do Capitalismo que a sua teoria constrói.

No centro da sua análise estão as teorias do “Valor Trabalho” e da “Mais Valia”. Entendia-se, na época, que o valor de uma mercadoria era determinado pelo trabalho nela incorporado.

Já no seu tempo apareceram outras teorias como a da “Utilidade Marginal” e a “Lei dos Rendimentos Decrescentes” que contribuíram para que Marx compreendesse que a sua formulação precisava de ser revista.

O século XX trouxe grande alteração na relação entre as nações e na organização económica dentro de cada uma delas. Foram raras as exceções dos países que não adotaram a Economia de Mercado. Essas exceções foram ou são países que optaram por economias orientadas para tentar a hegemonia militar, local ou global.

No discurso de alguns dos nossos académicos e muitos políticos, propositadamente se faz a confusão entre Capitalismo e Economia de Mercado.

Essa confusão é introduzida, no plano ideológico, porque Capitalismo remonta e assenta na Teoria da Exploração de Marx.

Na Economia de Mercado, dos séculos XX e XXI a tal Teoria da Exploração não tem qualquer aplicação porque já não estamos na Revolução Industrial e porque a organização social das Nações não é a mesma.

Isso não impede o aparecimento de novos paladinos das mazelas do Capitalismo, como Thomas Piketty com “O Capital do Séc. XXI” e Wolgang Streeck com “Tempo Comprado – A Crise Adiada do Capitalismo Democrático” cujas análises enfermam dos mesmos erros.

Mas estes, não fora as preocupações editoriais, tinham de distinguir os aspetos que o termo Capitalismo comporta nas análises do Séc. XXI.

Eles sabem que Marx, reportando-se à situação da Economia no séc. XIX, ao considerar a apropriação dos Meios de Produção, está a referir-se a uma realidade, Bens de Capital que, há muito, deixou de representar a realidade das relações sociais do Séc. XXI.

Segundo o Relatório “Where is the wealth of the Nations? – Measuring the Capital for the 21st Century”, no caso da Suíça, como se pode ver no quadro abaixo, representa apenas 15% da riqueza da Nação.

Acho que usei os tais cinco minutos que Raymond Aron dizia.

Relatório do Banco Mundial “Where is the wealth of the Nations? – Measuring the Capital for the 21st Century”

No século XXI, o termo capital é usado no sentido que as Normas Internacionais da Contabilidade lhe dão, nomeadamente o I. F. R. S. – International Financial Reporting Standard e o I. A. S. B. (International Account Standards Board) que tem emitido diversas instruções para a contabilização dos Activos Intangíveis, nomeadamente a Norma I. A. S.(International Account Standards) 38.

Posto isto, vamos debruçar-nos sobre alguns aspetos do Relatório que o Banco Mundial divulgou em 2006 após um inquérito feito em 120 Nações em 2005 com o título: “Where is the wealth of the Nations? – Measuring the Capital for the 21st Century”

Reparemos no quadro que aparece na página 20 do relatório.

Table 2.1 Total Wealth: Top-10 Countries, 2000

Country (descending order of per capita wealth) Wealth per capita ($) Natural capital (%) Produced capital (%) Intangible capital (%)
Switzerland 648,241 1 15 84
Denmark 575,138 2 14 84
Sweden 513,424 2 11 87
United States 512,612 3 16 82
Germany 496,447 1 14 85
Japan 493,241 0 30 69
Austria 493,080 1 15 84
Norway 473,708 12 25 63
France 468,024 1 12 86
Belgium-Luxembourg 451,714 1 13 86

Por mais estranho que pareça, no Top 10 das Nações com maior riqueza per capita aparece à cabeça a Suíça com 648 241 Dólares.

Na Suíça, aquela riqueza tem a seguinte composição: Capital Natural 1%: Bens de Capital 15%; Capital Intangível 84%.

Para quem está menos familiarizado com estes termos vou dar uma sucessão de definições que podem ser deduzidas daquele Relatório.

Capital Natural – Riqueza da Nação como petróleo, gás natural,carvão, safras agrícolas, pastagens, florestas e reservas ambientais.

Usa-se aqui o valor Presente Líquido (do Consumo Futuro, projetado ao longo do tempo).

Bens de Capital -Máquinas e equipamentos de transporte, edificações, construções e infraestruturas.

Capital Humano – Conhecimento, técnica, habilidade, destreza e práticas que permitem obter mais eficiência e melhores resultados em uma operação ou processo.

Capital Intangível – Mix de Capital Humano, Governança, Qualidade das Instituições Formais e Outros Factores.

Num cálculo aproximado pode dizer-se que Capital Intangível = Riqueza Total – Capital Natural -Bens de Capital.

No Relatório podemos ler as seguintes definições:

Natural resources are special economic goods because they are not produced. As a consequence, natural resources will yield economic profits—rents—if properly managed. These rents can be an important source of development finance, and countries like Botswana and Malaysia have successfully used natural resources in this way.

The Meaning of Intangible Capita It includes human capital, the skills and know-how embodied in the labor force. It encompasses social capital, that is, the degree of trust among people in a society and their ability to work together for common purposes. It also includes those governance elements that boost the productivity of the economy. For example, if an economy has a very efficient judicial system, clear property rights, and an effective government, the result will be a higher total wealth and thus an increase in the intangible capital residual.

O Capital Intangível e a Boa Governança em Portugal

Os dois partidos que vão servir de suporte ao Governo de António Costa recusaram-se a fazer parte desse Governo. Que esperança há para que a boa Governança, factor e motor essencial do Capital Intangível possa ser alterado em Portugal?

Claro que devemos dar ao novo Primeiro Ministro o benefício da dúvida. Mas repristinar um ministro que entre 2009 e 2011 afundou a economia portuguesa na bancarrota não augura nada de bom.

Portugal refém das corporações que controlam a Administração Pública

Por outro lado, ainda não temos a lista das profissões dos atuais Deputados na Assembleia da República mas podemos esperar que, uma vez mais, a percentagem de funcionários públicos que aí têm assento, seja superior a 50%.

Isso significa que Portugal vai continuar prisioneiro de uma classe cuja função deveria ser servir a Nação. Os sindicatos praticamente desapareceram em Portugal. Em seu lugar apareceram as mais diversas corporações que aproveitando as lacunas da Constituição passaram a usar a designação de sindicatos para melhor controlarem, em benefício próprio, todo o aparelho do Estado.

Chegou-se ao ponto de até mesmo o Poder Judicial ter no seu seio sindicatos.

Com este panorama que esperança podemos ter de que a Boa Governança contribua o aumento da riqueza da Nação?

Piauí, 2015-12-01

Manuel Ferreira

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Enfim, conhecem-se dois programas!

Há dias, José Miguel Tavares escrevia que tínhamos dois bons candidatos a primeiro ministro (Jornal Público 2015-07-28) o que, segundo ele era uma boa notícia.

Isso fez com que eu ficasse com curiosidade acrescida para ler o programa da coligação. Depois disso fico com a sensação que aqueles dois candidatos apenas estão obcecados com o exercício do poder.

A proposta de ambos é que, em 2016, Portugal peça mais dinheiro emprestado e pague mais juros por esse dinheiro. Atirando, a quem os questiona, que mais lá para a frente talvez digam que pedem dinheiro sem intenção de o pagar. Nenhum deles tem a mínima intenção de se pôr de acordo com o outro para afirmar publicamente que Portugal só sai deste marasmo quando tiver um saldo primário positivo.

Um e outro ficam embalados pelo canto das sereias Stiglitz (Nobel em 2001) e Krugman (Nobel em 2008) que apelam ao fim da austeridade mas não apontam soluções para os problemas económicos que afetam principalmente os países da Europa do Sul.

Jean Tirole (Nobel em 2014), em Estocolmo, quando foi receber o Prémio Nobel, exortou a França a seguir o exemplo da Suécia e da Alemanha e encetar as reformas do mercado do trabalho e do Estado.

Apelou ainda a que parassem com o aumento da dívida através de uma economia viável. E, não podia ser mais claro: “Il faut faire des réformes. Et vite! Sans quoi, on va droit dans le mur”

Algum destes dois “bons rapazes,“ que no entender de José Miguel Tavares até são bons candidatos conhece Jean Tirole? E se conhecem entenderam o significado daquela mensagem?

Eu estou convencido que eles o conhecem e que conhecem as recomendações que ele faz. Por isso conhecem aquilo de que o País precisa. Como nada disso transpira dos seus programas só podemos tirar a conclusão que estão exclusivamente preocupados em ocupar o poder e o País… que se lixe!

A Lei diz que só se pode fazer campanha nos quinze dias que precedem as eleições. Também aqui eles querem que se lixe a Lei pois andam em campanha há dois anos. Pode ser que nos sessenta e poucos dias que faltam eles ainda nos surpreendam e mostrem que são dois bons candidatos e mostrem que eu estou enganado.

(Valongo, 2015-07-30)

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